26ª Avaliação Nacional de Vinhos

Em um ano de complexas incertezas políticas, o vinho brasileiro pede uma pausa para celebrar 2018. Da maior degustação de uma única safra do mundo, veio a confirmação de que a safra colhida no semestre passado está entre as três melhores da historia da viticultura brasileira

Era um exército de exatos 980 degustadores e 16 comentaristas, à espera de 16 rótulos servidos às cegas, por uma brigada de 120 voluntários, alunos de viticultura e enologia. Em uma organização impecável, de orgulhar qualquer brasileiro, o cenário estava montado na bela cidade gaúcha de Bento Gonçalves. O último sábado, 29 de setembro, estava marcado para entrar para a história como um dia em que a comunidade vitivinícola do país jamais se esqueceria.

Tratava-se da 26ª Avaliação Nacional de Vinhos, considerada pela indústria como o ‘Oscar’ do setor. Na pauta central, a apresentação das 16 amostras mais bem pontuadas da safra 2018, avaliadas por 120 enólogos, de um universo de 344 vinhos, enviados por 49 vinícolas. “O tempo ajudou e a maturidade de nossos enólogos transformou a uva em vinho de alta qualidade. O reconhecimento foi unânime e temos uma das três melhores safras da história do Brasil”, afirma o enólogo Edegar Scortegagna, presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), entidade promotora do evento.

As uvas colhidas, em sua maioria entre janeiro e março, geraram vinhos que alcançaram 86.7 pontos de média, o que os qualifica ao lado dos rótulos produzidos nas consagradas safras de 2005 e 2012. O processo contou com a coordenação técnica da Embrapa Uva e Vinho.

Edegar Scortegagna, presidente da ABE, Associação Brasileira de Enologia e enólogo chefe da vinícola Luiz Argenta
Dirceu Viana, MW (Masters of Wine), a maior autoridade brasileira em vinhos

Durante a avaliação, os quase mil degustadores recebiam informações técnicas dos vinhos, como acidez e níveis de açúcares, e provavam as amostras divididas em cinco categorias: vinho base para espumante, branco fino seco não aromático, branco fino seco aromático, tinto fino seco jovem e tinto fino seco.

Análises visuais, olfativas e gustativas eram realizadas simultaneamente com os 16 comentaristas convidados, incluindo nomes como Dirceu Vianna – o único Master of Wine (MW) brasileiro. Também estava à mesa Regina Vanderlinde, presidente da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), principal entidade do setor no mundo.

Cada comentarista tecia interpretações de uma amostra e anunciava sua pontuação. Logo após ocorria o anúncio das notas da média da mesa de convidados, e da média da seleção dos enólogos. Dos quase 350 vinhos avaliados previamente, 30% foram premiados com certificações de qualidade.

Para provar dos rótulos da maioria dos mais bem pontuados deste ano, o consumidor terá que aguardar com certa paciência, pois eles ainda não estão prontos para chegar ao mercado. Precisarão de um tempo de evolução em barricas ou em garrafa, antes de serem celebrados pelo país.

Expo paralela

A semana passada, entre 26 e 29 de setembro, também marcou a estreia da Wine South America (WSA), que já nasce consolidada como a maior feira de vinhos das Américas. Foram mais de 6 mil visitantes no evento que contou com 250 expositores, sendo 100 vinícolas brasileiras. A expo é promovida pela Milanez & Milaneze, subsidiária da italiana Veronafiere, que também organiza a Vinitaly, em Verona.

Um batalhão formado por mais de 100 estudantes de sommelierie e enologia serviam 16 comentaristas e quase 1.000 convidados em 1 minuto

A WSA ganhará uma forte competidora no próximo ano, com a primeira edição da Provino – Feira Profissional de Vinhos e Destilados – já com data marcada, entre 15 e 17 de outubro. O evento terá curadoria da ProWein, a mais importante feira de vinhos do mundo, que acontece anualmente em Dusseldorf, na Alemanha. Serão dois eventos expressivos no calendário, sinal de otimismo no mercado de vinhos brasileiros.

Texto: Carlos Marcondes / Fotos: Jeferson Soldi

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