Allegrini

O Vêneto é uma região espetacular, graças às suas cidades, tais como Veneza e Verona, lindas e cheias de história

Allegrini La Grola Hill

O Vêneto é uma região de grandes belezas naturais e rico patrimônio histórico, como sua capital, a cidade de Veneza. Situado no nordeste da Itália, o Vêneto é o berço de vinhos de grande qualidade e de tipicidade únicas, como os produzidos na zona Valpolicella, os maravilhosos Amarone e Reccioto. O nome Valpolicella significa, em latim, “vale de muitas adegas”. Traços da atividade enológica no local tem sido datado desde o período Etrusco, entre os séculos 7 a.C. e 5 a.C.

Diz uma lenda (ou história não confirmada), que durante uma das colheitas a região do Valpolicella foi invadida pelos alemães. Os viticultores, que já haviam colhido suas uvas, fugiram e se esconderam dos invasores. Quando os alemães deixaram a região, os agricultores voltaram aos seus depósitos e encontraram as uvas quase secas. Resolveram mesmo assim fermentá-las e descobriram que o vinho resultante deste processo era muito bom. Foi assim que teria sido criada a técnica do apassimento, que consiste em deixar a uva secar antes de sua fermentação.

Para conhecer melhor os vinhos desta região, fui visitar a Allegrini, uma das vinícolas mais emblemáticas do local. Aos poucos, fui vendo pelo caminho colhedores extraindo a variedade Corvina, a principal cepa do Valpolicella clássico e que tem este nome justamente por ter a cor do corvo.

 

Allegrini Fieramonte Vineyard

 

Antigamente, os vinhedos eram plantados nos vales e resultavam em vinhos de baixa qualidade, o que pode ter contribuído para gerar certa descrença nos vinhos Valpolicella.

A visão inovadora do antigo proprietário, Giovanni Allegrini, o levou a comprar terras nas encostas, na época praticamente sem valor, devido à dificuldade no cultivo. As encostas são muito valorizadas hoje em dia, e são das Colinas que saem as melhores uvas para os melhores vinhos.

 

Palazzo Della Torre Vineyard

 

A Allegrini recebe os visitantes na sua propriedade centenária de Villa dela Torre, uma histórica joia da arquitetura renascentista, para visita e degustação dos vinhos. Participei, nesta ocasião, de uma degustação com três vinhos.

Palazzo Della Torre 2
As uvas seguem dois diferentes caminhos. Primeiramente, 70 % das uvas são vinificadas imediatamente depois da colheita, sendo as remanescentes secas até o fim de dezembro. Na segunda etapa, o vinho é fermentado de novo com as frutas secas. São utilizadas 70% de Corvina Veronese, 25% de Rondinella e 5% de Sangiovese. Este é um vinho que combina bem com risotos, carne de porco, grelhados e o tradicional bollito misto, prato típico do Vêneto.

Amarone 2007
Um vinho estruturado, complexo, elegante e aveludado, com intensa cor rubi e buquê de especiarias. De fato, ele é feito com 100% de uvas passificadas, sendo 80% de Corvina Veronese, 15% de Rondinella e 5% de Oseleta (a proporção destas uvas varia a cada ano, conforme as características da safra). O processo de apassimento (secagem das uvas) leva de três a quatro meses. Amarone é um vinho extremamente importante na viticultura italiana, é único e um símbolo da região Valpolicella. Este vinho é tradicionalmente bebido com carnes grelhadas e queijos bem maturados, por exemplo.

As características do Amarone fazem dele um vinho perfeito para acompanhar exóticos pratos salgados e até alguns doces. É um acompanhamento perfeito para a comida asiática, com seus temperos e suas combinações agridoces.

Recioto Giovanni Allegrini 2008
Este vinho doce, cor rubi profundo, tem buquê de especiarias com toques de fruta seca. É intenso e aveludado no palato. Ele divide com o Amarone a técnica de apassimento. A composição do vinho é de 80% de Corvina Veronese, 15% de Rondinella e 5% de Oseleta, e seu processo é um pouco distinto: sua fermentação é interrompida antes que todo o açúcar da uva seja convertido em álcool. Este vinho é extraordinariamente concentrado. Tradicionalmente, é apreciado com sobremesas secas, como Cantucci (biscoito de amêndoa) e Sbrisolona (biscoitinho frito com canela), mas é ideal para acompanhar morangos e frutas tropicais. Excepcionalmente redondo, é um parceiro perfeito para alguns queijos, especialmente o Gorgonzola suave.

Depois desta incrível degustação, entendi por que Ernest Hemingway dizia que o Valpolicella é um tinto luminoso, seco e amigável, como a casa de um irmão ou grande amigo! Pura verdade.

Texto: Alberto Andalo / Fotos: acervo Allegrini

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