Charles Smith Wines

Em Walla Walla, no interior do estado de Washington, uma vinícola onde tudo é irreverente, a começar pelo proprietário e enólogo, o icônico Charles Smith

Tudo lá é diferente: quando o visitei, o welcome drink foi um delicioso rosé, servido em taças sem pé e curiosamente engarrafado em tamanho magnum

Em um giro pelas vinícolas do estado norte-americano de Washington, perto da fronteira com o Canadá, visitei a pequena Walla Walla, uma pitoresca cidade com pouco mais de 30 mil habitantes, sitiada por uma trama cada vez mais extensa de vinhedos dessa pujante região vitivinícola. Os Estados Unidos produzem vinhos em quase todos os seus estados, com exceção do Havaí e do Alasca – e não me surpreenderei se souber que também já se faz vinhos nestes dois lugares tão improváveis. Washington é um exemplo magnífico do que o espírito de empreendedorismo e a liberdade de mercado podem fazer: em menos de 25 anos, surgiram nada menos que 850 vinícolas e quase 300 growers, que são plantadores de uvas que não produzem vinho e fornecem suas uvas para as vinícolas da região.

Em Walla Walla, fomos recebidos para um almoço pelo irreverente Charles Smith, um produtor icônico na região, proprietário da vinícola que leva seu nome. Smith viveu na Dinamarca por nove anos produzindo bandas de rock, shows e turnês em todo o mundo. Esse trabalho o aproximou ainda mais do que ele sempre gostou: a boa comida e os vinhos, desencadeando sua nova etapa de vida.

De volta aos Estados Unidos, em 1999, Charles abriu uma loja de vinhos no centro de Seattle. Mas, em uma viagem a Walla Walla, ele decidiu unir forças com um jovem e promissor enólogo francês e, em 2001, eles lançaram seu primeiro vinho, o 1999 K Syrah. Autodidata e empreendedor, Smith desenvolveu pioneiramente uma linha de ótimos vinhos, com uma pegada artesanal e moderna, focados no consumo imediato, com rótulos descolados e irreverentes. Um de seus vinhos mais conhecidos é o Kung Fu Girl, um Riesling diferentão, frutado e sedutor. Os rótulos, sempre em preto e branco, são distinguíveis de longe e, desde o início, se tornaram um case de sucesso.

Em 2008, sua vinícola foi reconhecida pela revista Wine & Spirits como uma das “Melhores Vinícolas Novas dos últimos dez anos” e como “Vinícola do Ano”, em seu guia anual de compras. Em 2009, a revista Food & Wine o premiou como “Winemaker of the Year”; em 2010, a revista Seattle reconheceu Smith como seu “Enólogo do Ano” e, em 2014, a Wine Enthusiast também o nomeou “Winemaker of the Year”.

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