Como Montar uma Adega

As garrafas vêm recheadas de história e o blog traz várias sugestões legais de harmonização, tudo cuidadosamente escolhido com carinho pelo nosso time de sommeliers. Alguns vinhos serão consumidos imediatamente, enquanto outros vão esperar o momento ideal. Por isso, chegou a hora de organizar a adega, o espaço ideal para guardar suas novas aquisições.

Em minha coluna de estreia, minha tarefa é ajudá-lo. A palavra “adega”, em seu sentido original, relaciona-se a um lugar da casa, às vezes subterrâneo e com temperatura um pouco mais baixa, onde são guardados vinhos. Por vezes, é também o nome de estabelecimentos e de casas que servem bebidas, comidinhas e outras gostosuras, cada vez mais populares e que se tornaram lugares de diversão e entretenimento. Existe, também, uma grande gama de adegas climatizadas à venda, que se assemelham a uma geladeira e que podem ser uma boa solução em muitos casos. Elas já vêm programadas de fábrica para manter a temperatura ideal para os vinhos.

Portanto, você precisa pensar na quantidade de rótulos que gostaria de armazenar em casa e o melhor local no qual colocar. Outra ideia é construir a sua, pois você pode montá-la em um nicho, embaixo de uma escada, por exemplo, dentro de um armário ou em um cômodo da casa em que haja espaço disponível ou que tenha sido destinado para isso. Você pode utilizar prateleiras empilháveis, suportes e outras coisinhas mais. Nesse caso, aqui vão algumas regrinhas que, acredite, farão a diferença.

Escolha um local fresco, longe da cozinha e de cheiros fortes, como condimentos e produtos de limpeza. O local precisa ser mantido limpo, arejado e livre de mofo ou goteiras. Se o local for pequeno, uma boa dica é pintar com tinta acrílica de cores claras, pois oferecem mais amplitude.

Tenha sempre em mente que os rótulos precisam de temperaturas amenas e o principal: as garrafas devem ficar deitadas e ou inclinadas, de modo que a rolha fique em contato com o líquido constantemente, a fim de preservá-lo. Manter a rolha em contato com o líquido faz ela rolha se dilatar e impedir que o ar entre, ajudando em sua preservação.

A temperatura ideal para conservar os vinhos por mais tempo é entre 14°C e 16°C. A umidade deve estar entre 70% e 80% – isso evita os extremos, ou seja, se o ambiente ficar muito seco, as rolhas podem ressecar e esfarelar e, se o lugar for muito úmido, pode surgir o bolor que destruirá primeiro os rótulos. A luminosidade acelera o envelhecimento do vinho. Portanto, mantenha o ambiente escuro, evite o uso de luzes fluorescentes e mantenha tudo apagado fora de uso.

Importante: nos vinhos de guarda, a função da rolha é proporcionar micro oxigenação para criar uma pequeníssima troca de ar entre o líquido e o ar de fora. Se o local tiver odores fortes, eles podem ser incorporados ao vinho.

Hora de começar a pensar na compra e na organização dos rótulos. A primeira coisa que deve se levar em conta, é claro, é o seu gosto pessoal. Procure fazer uma lista de suas preferências: branco ou tinto? Leve ou encorpado? Gosta mais de acidez ou de adstringência? Qual o tipo de comida prefere? Quanto gostaria de investir? Com essas informações alinhadas, fica mais fácil rechear a adega. Outra opção é pedir ajuda a um profissional, que fará um trabalho de seleção, considerando todos os pontos importantes e os gostos pessoais do cliente.

Preparei uma sugestão bastante diversificada, que pode ser um bom começo. Você descobrirá muitos estilos e depois pode escolher os que mais gostou.

COMO ARMAZENAR ISSO TUDO?

Coloque os brancos e os espumantes mais perto do chão, pois a temperatura tende a ser mais baixa. Tintos do meio para cima, em que a temperatura é menos fria. Vinhos fortificados e vinhos espumantes não precisam ser guardados deitados. Crie um sistema para facilitar a organização e a localização dos rótulos, como: de um lado, os brancos leves e jovens, de outro os encorpados e barricados, ou por regiões, tipo Novo Mundo, Velho Mundo, Borgonha, Bordeaux,enfim, existem vários critérios que irão ajudá-lo a organizar os vinhos na adega. Escolha um deles para montar a sua.

Pronto? Vamos aos acessórios. É importante investir em um bom abridor e nas taças. Eu acho que quanto mais simples melhor. O modelo do sommelier, que tem duas fases, é um dos mais práticos – e, assim que você se familiarizar, tenho certeza que será o seu preferido.

Taças: são muitos modelos e tamanhos. Na verdade, se você quiser, encontrará um modelo para cada tipo de vinho – mas isso é inviável e desnecessário, não só pelo custo elevado, mas também porque requer espaço de armazenamento muito grande. O melhor mesmo é ter bom senso e escolher os modelos principais que poderão ser usados para vários tipos de vinhos.

Brancos e espumantes: são copos delicados, com um formato apropriado aos vinhos brancos e, ultimamente, há uma tendência mundial em utilizá-las para os espumantes também, pois elas ajudam a liberar mais aromas desse tipo de vinho. Assim, você tem aqui dois em um.

Tintos: gosto de ter dois tipos de taças, as tipo Borgonha, mais bojudas, que são ótimas para vinhos tintos delicados e aromáticos, como os Pinots Noirs. Elas favorecem a aeração e a liberação dos aromas, e as taças tipo Bordeaux, próprias para vinhos mais estruturados, complexos e muitas vezes mais fechados. Esse tipo de vinho precisa de taça com a boca menos aberta, que ajudará a conter os aromas dentro dela.

Sobremesa: essas são taças menores que as de branco e tinto, pois os vinhos de sobremesa e os fortificados, por serem mais concentrados (em açúcar e muitas vezes em álcool, como é o caso dos fortificados) devem ser servidos em quantidades menores.

Decanter: esse acessório é utilizado em dois momentos, tanto para “abrir” o vinho, no caso dos que precisam de uma boa aeração. Quanto à decantação, serve para separar as partículas que podem ter se formado pela passagem do tempo, ou por algum tipo de cristalização que acontece algumas vezes por causa do ácido tartárico. Caderno de degustação: crie um caderno de notas para lembrar os vinhos que provou, quando, como harmonizou, com quem estava, quais as suas impressões sobre o rótulo, enfim, suas memórias da adega. Além de muito divertido, também pode ser uma boa referência para futuras compras.

Tags (etiquetas para os vinhos): amarre etiquetas em volta do gargalo com informações básicas que facilitem a busca (nome do vinho, safra, tipo, consumir até data X etc.). Assim, não precisa mexer nas garrafas toda vez que quiser encontrar um determinado vinho.

Gostou dessas dicas? Então mãos à obra! Comece a sua adega e boa diversão.
Cheers!

Daniella Romano: Sommelière, criou o Guia de Vinhos Selo 7 Sommeliers e a empresa Aromas do Vinho. Proprietaria da Casa da Travessa espaço dedicado a Gastronomia e à Wine Education

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