Crítico diz que, se o aluno quiser, ele ajuda a ser esnobe

Essa e outras notas em uma miscelânea de textos sobre vinhos, comidas e viagens

James Suckling pode ser seu professor. Foto: MasterClass
James Suckling pode ser seu professor. Foto: MasterClass

Conhecimento e diversão; aprendizado e bom humor

Para os enófilos que gostam de acompanhar críticos internacionais, a dica é comprar o pacote de 11 aulas da MasterClass (bit.ly/masterclass-vinho) com o norte-americano James Suckling. A série começa na Toscana, com Suckling falando sobre a “mágica” do vinhedo. Para se ter um bom vinho é fundamental que ele cresça nas condições ideais, portanto, desista de uma mágica na vinícola, porque o segredo é a terra. Em seguida, ele dá dicas sobre o que prestar atenção na degustação, explica seu sistema de pontuação e prova uma sequência de italianos. (Isabelle Moreira Lima)

***

“Eu tento não ser esnobe em relação aos vinhos, mas, se você quiser ser, eu posso ajudar”
James Suckling, crítico norte-americano

 

***

Veja também

***

Pequeno e absurdo dicionário de degustação

Nas notas de degustação, um vinho pode ser musculoso, ossudo, cremoso, crocante, elétrico, flácido. O que isso significa?

Por Isabelle Moreira Lima, do Paladar

Gordo, musculoso, magro, fino... Ilustração Marcus Müller/Estadão
Gordo, musculoso, magro, fino… Ilustração Marcus Müller/Estadão

 

Já faz um tempo que as notas de degustação passaram de descrições diretas e enciclopédicas para textos poéticos, em que os adjetivos parecem descrever objetos de design em vez de sabores e aromas. Além da natureza das palavras, o número de adjetivos que descrevem um vinho mais que dobrou de uns anos para cá. Hoje, um rótulo pode ser vertical ou até crocante. Se você se sente intimidado ao ouvir esses termos, pode se tranquilizar, não está sozinho: para muitos, eles não fazem o menor sentido. Fiz uma lista dos adjetivos que ouvi repetidamente e que não constam nos dicionários de vinho, e consultei dois educadores, a sommelière Alexandra Corvo, que fundou a escola e livraria especializada Ciclo das Vinhas, e Bruno Xavier, responsável pelos cursos da Grand Cru. Eles explicaram muitos dos termos, mas outros, concluímos, são fruto da engenhosidade de enochatos. (E nada impede que você adote os termos que fazem sentido e se divirta com eles.)

Um vinho vertical, por exemplo, tem acidez alta e final bem seco. É também chamado de objetivo, elétrico, vivaz, brilhante. Um vinho flácido e chato é o oposto disso, aquele que peca pela falta de acidez. Se tem muito álcool, ele é cremoso ou gordo. Mas um gordo pode ser também uma bebida que estagiou por muito tempo em barrica. Já cremoso é um termo usado para espumantes que têm características ligadas às leveduras, como aromas de brioche. Um vinho musculoso tem muito corpo e taninos rústicos. Já um magrinho tem pouco álcool. Se ele tem pouco álcool e muita acidez, é ossudo.

E vinho crocante, já ouviu essa? Trata-se da tradução de crispy, termo inglês usado para vinhos brancos bem secos e de alta acidez. Fino é um vinho elegante, de clima frio ou marítimo, que é sutil e delicado. Um vinho redondo é uma bebida em que todos os elementos – acidez, corpo, taninos, álcool – estão em sintonia, sejam eles altos, moderados ou baixos. Arisco é aquele que tem muitas arestas, acidez alta e taninos bem rústicos e que deixa a sua boca pinicando. Por fim, há o vinho infantil, que não tem muita estrutura, mas é rico em fruta, parece quase doce, com paladar de bala.

***

Cava é abandonada

Espumantes premium produzidos na Espanha mudam de nome

Produtores de espumante premium espanhol não usam mais a nomenclatura cava. Foto: Pixabay

 

Apartir de abril, você deve começar a ver espumantes espanhóis com um selo diferente. Ele trará as palavras “Vino Espumoso de Calidad, Método Tradicional” e a misteriosa “Corpinnat”. Trata-se de uma associação que une nove das principais marcas premium de espumantes produzidos na Espanha. As casas Gramona, Recaredo, Torelló, Llopart, Nadal, Sabaté i Coca, Mas Candí, Huget-Can Feixes e Júlia Vernet são responsáveis por apenas 1% da região, mas faziam até agora 30% da bebida superpremium em Parajes Calificadas, os grand crus espanhóis.

Ao integrar o selo Corpinnat, elas passam a seguir regras rígidas como o uso apenas de uvas orgânicas, colheita manual, pelo menos 18 meses de envelhecimento, vinificação na própria adega e – a norma mais “comércio justo” de todas – inclusão do produtor de uvas na cadeia de valores.

Muitas delas já tinham as regras como diretrizes. O que muda é a orientação para o consumidor, que não precisa mais ter dúvida sobre a qualidade desses vinhos. A maioria dos espumantes Corpinnat não chega ao Brasil. Os da casa Gramona são importados pela Casa Flora. (Isabelle Moreira Lima)

***

Viagem: os melhores destinos de 2019

Veja o especial completo no caderno de turismo do Estadão. Clique aqui

1º Peru
A Trilha Inca, até Machu Picchu, é a mais concorrida, mas rotas como Lares e Salkantay são lindas, com menos perrengues. Lima se destaca pela gastronomia. Navegue pelo Amazonas

QUANDO IR: Machu Picchu e Arequipa são ideais entre abril e novembro. Em dezembro, chove demais em Cuzco. Lima, Nazca e Ica são secas o ano todo. Iquitos e Amazônia entre maio e outubro.

QUEM VAI GOSTAR: apaixonados por história e natureza. Há roteiros de aventura para acampar e também de luxo. A comida é outro ponto alto.

SERVIÇOS: há voos diários da Avianca e da Latam partindo de São Paulo (5h) ou do Rio de Janeiro (5h30)

2º Croácia
Dubrovnik, a cidade murada, preserva construções barrocas. Os monastérios, as igrejas e a catedral são clássicos. Do alto, o mar azul turquesa. De barco, siga pela costa da Dalmácia

QUANDO IR: entre abril e outubro as temperaturas são mais agradáveis. Junho e julho são bons para a praia. Agosto é alta temporada (muvuca). Em setembro, o clima refresca.

QUEM VAI GOSTAR: a família inteira, casais apaixonados e grupos de amigos. Além, claro, dos fãs de Game of Thrones.

SERVIÇOS: o site kingslandingdubrovnik.com mapeia as locações de Game of Thrones em Dubrovnik e é uma boa base para fãs.

3º Porto
A cidade teve seu centro histórico revitalizado. Em Vila Nova de Gaia, estão as caves de vinho do Porto. Invista num cruzeiro pelo Rio Douro e em bate-voltas pelo belíssimo vale

QUANDO IR: não há época ruim em Portugal e o inverno é moderado. Julho e agosto são meses muito quentes; chove mais no outono e no inverno, de outubro a março.

QUEM VAI GOSTAR: todo mundo. Porto tem vida noturna vibrante, montanhas e vinhos. É ótima para famílias e casais.

SERVIÇOS: para fazer stopover em Porto, reserve antes na TAP. A Azul agora tem voos diretos a partir de Campinas.

***

Mergulho no que restou do Titanic

Em julho, nove pessoas mergulharão no Atlântico para ver o que sobrou do Titanic e, na sequência, jantarão um menu de dez etapas com vinhos da época do naufrágio – entre eles, o Champagne 1907 Heidsieck Gout, mesma safra servida no navio. A brincadeira sai por 10 mil libras e é vendida pela Cookson Adventures. (Isabelle Moreira Lima)

***

Receba mais conteúdo por e-mail

Veja mais sobre

Posts relacionados