Descubra novos rótulos sem medo de errar

Como sommelière, trabalho com vinhos na área de educação e consultoria há mais de 17 anos e confesso que, a cada dia, descubro coisas novas

Escrever sobre o que gostamos é constantemente uma motivação. O vinho é um universo inesgotável: países que nunca fabricaram de repente tornam-se grandes produtores; outros, que tinham tradição em fazer um tipo de vinho, aparecem com outros estilos e cheios de novidades; uvas típicas de determinadas regiões começam a ser plantadas com sucesso em outros lugares… e assim as coisas vão acontecendo, cada vez mais rápido, em nosso delicioso mundo dos vinhos.

Além disso, o vinho sempre esteve presente na história da humanidade. Ao conquistar um novo país, os invasores plantavam uvas para confeccionar o próprio vinho na região. A igreja católica, ao colocar os pés nesses novos territórios, também dava início ao cultivo das uvas para fazer o vinho da missa.

No século 14, quando a peste negra se espalhou pela Europa, matando milhões de pessoas, os padres proibiram o consumo da água, que estava contaminada, e substituíram-na por vinho e cerveja. O álcool dessas bebidas matava muitas bactérias, evitando a propagação.
Voltando à nossa Era: o vinho, assim como a cerveja, é uma bebida fermentada. Em muitos países, é classificado como alimento. Por ser rico em polifenóis, ele é um excelente antioxidante, reduz riscos de doenças do coração, e recentes pesquisas afirmam que uma taça por dia pode ajudar a emagrecer. Mas, atenção: isso quando consumido diariamente, em doses pequenas, e principalmente acompanhando uma refeição.

Para produzir vinho são utilizadas uvas da espécie vitis viníferas, que são diferentes das uvas de mesa que estamos habituados a consumir. Existem muitas variedades dessas frutas, que podem ser brancas ou tintas, e cada uma delas recebe um nome, geralmente de origem francesa, como a tinta Cabernet Sauvignon (lê-se: cabernê sôvinhon) e a branca Chardonnay (lê-se: xárdoné). Além dos nomes, elas também são diferentes nas características. É mais ou menos como compará-las com bananas: todas são bananas, mas cada uma tem um gosto, um aroma, um sabor e um modo para ser consumida.

O processo básico para produção de vinho é muito simples. As uvas, depois de colhidas, são prensadas, dando origem a um suco, ao qual é adicionado um tipo de fermento: a levedura, responsável por transformar o açúcar da uva em álcool, através de uma reação química, resultando no vinho. Nesse processo, além da transformação dos açúcares em álcool, são liberados calor e CO2. Esse é o primeiro passo. Depois dessa etapa, dependendo do estilo que se quer produzir, o vinho fará estágio em tanques de inox, de cimento ou em barricas de carvalho. Todo o processo é controlado de perto pelo enólogo, o profissional responsável por todas as etapas, desde a condução do vinhedo até a produção do vinho. É ele quem toma as decisões importantes na fabricação para alcançar os resultados esperados.
Diante de tantos estilos e opções, às vezes fica difícil escolher e acabamos bebendo os mesmos vinhos com receio de arriscar. Mas, observando seu gosto para alguns alimentos, é possível, até certo ponto, prever quais vinhos irão agradar mais. Por isso, preparei algumas dicas práticas para apresentar novos rótulos.

Café amargo e sem açúcar – Se você gosta, prove vinhos mais encorpados, com taninos firmes, como os Tannats do Uruguai, ou os Barolos italianos. São vinhos com muita personalidade e que, por conta dos taninos, dão sensação adstringente na boca, a mesma que sentimos quando bebemos café sem açúcar.

Frutas cítricas – Adora limonada e frutas como morango e abacaxi? Experimente os Sauvignons Blancs de Leyda no Chile, os da Nova Zelândia e os Chablis, produzidos na região de mesmo nome, na França. Eles são frescos, têm acidez marcante, a mesma encontrada no abacaxi, no morango e no limão, que nos faz salivar e deixam na boca a sensação de frescor.

Doces – Se você gosta de doces e não pula a sobremesa, existem os próprios vinhos de sobremesa, como os de colheita tardia, passitos e fortificados. Já para escolher os vinhos secos, não tenha dúvida, opte por vinhos como os produzidos com as uvas Negro Amaro, Primitivo (da Puglia), os Malbecs argentinos e os Zinfandel americanos. São vinhos que agradam o paladar por sua abundância em frutas vermelhas e negras, notas de geleia e boa dose de açúcar residual (que restou no vinho após sua produção).

Azeitonas, presunto cru, embutidos e alimentos salgados – Para os amantes do sal, existem vinhos que combinam divinamente com tudo isso, como o Jerez Fino ou o Manzanilla. Esses espanhóis são perfeitos para equilibrar aperitivos muito salgados, vinhos bem secos e com leve toque salgado e mineral são o par perfeito.

Frituras – Bolinho de bacalhau, lula à doré, arancine etc. Esta é a sua praia: vinhos espumantes, sempre muito frescos e excelentes para quaisquer petiscos a todo momento.

Agora, é só descobrir novos vinhos que combinam com você!
Cheers!

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