Entrevista Guillaume Hubert – Turismo de Champagne

A mais consagrada região de borbulhas do mundo está mais tropical. Em entrevista exclusiva ao Clube Paladar, Guillaume Hubert, gerente de marketing do Vale de Champagne, revela um crescimento cerca de 30% em 2017, no número de brasileiros que brindaram in loco, no celebre terroir francês.

Turismo de Champagne
Guillaume Hubert Guillaume Hubert

Nem mesmo os devaneios de nossa economia no ano passado foram capazes de controlar a gana de brasileiros, em ter a experiência de visitar a mítica região de Maisons produtoras de alguns dos mais aclamados rótulos do mundo do vinho. Quem confirma o avanço tupiniquim em terras de Dom Perignon é Guillaume Hubert, responsável pela promoção do vale de Champagne no mercado Latino-americano.

Quase duas décadas trabalhando no turismo da região, Hubert prevê que o crescimento de brasileiros em Champagne deva ser constante nos próximos anos, tanto pela facilidade de estar apenas 45 minutos de trem de Paris, como pela identificação cultural de nosso povo alegre e festeiro, com a bebida mais icônica de celebrações no planeta.

Carlos Marcondes: Quais as razões para o aumento de brasileiros em Champagne?

Guillaume Hubert: Não temos ainda os números exatos do mercado brasileiro em 2017, mas houve um crescimento de 29,2% na América do Sul, quase 2 mil pessoas a mais. Historicamente, a média brasileira supera a de seu continente, portanto é bem possível que o crescimento brasileiro tenha ficado bem acima desse patamar. E há forte otimismo entre os players de turismo de Champagne para 2018 em relação ao mercado brasileiro. Esperamos avanços.

Entre as razões que explicam esse bom momento, temos a questão da proximidade com Paris, com trens de alta velocidade que levam até Reims em menos de uma hora, e em uma hora e meia de carro, partindo da capital. Há também o fator de sermos o principal centro de compras outlet da Europa, com mais de 200 lojas e 400 marcas, além é claro do charme e fascínio que envolve a região. Outro ponto é que o Brasil é produtor de espumantes e tem identidade natural com a bebida.

CM: Qual o segredo para encontrar equilíbrio em manter a região como um destino repleto de tradição e ao mesmo tempo moderno e atual?

GH: Com relação as regras de produção da bebida há uma rigorosa legislação que segue intacta. Do ponto de vista turístico, tem crescido, por exemplo, a busca por visitação em pequenos produtores, além é claro das imperdíveis experiências nas grandes Maisons. Novas atividades começam a surgir como a complexa harmonização de champagne com chocolate, ofertado, por exemplo, na renomada Devaux.

As três principais cidades Reims, Epernay e Troyes são exemplos de arquitetura preservada, mas com estrutura moderna. Em 2015 foi ratificado pela Unesco os ‘Coteaux’ as Maisons e Caves de Champagne, como Patrimônio Mundial da Humanidade. Este reconhecimento é uma garantia de que o valor histórico tem sido contemplado, em paralelo à modernização das vinícolas.

 

CM: Ao norte de Champagne, há também um certo intercâmbio cultural com a vizinha Bélgica. É expressivo como ocorre, por exemplo, na Alsácia com a Alemanha.

GH: Os belgas adoram a região, são grandes consumidores e compradores da bebida. Creio que a maior sinergia esteja na gastronomia. A Bélgica é famosa por sua culinária de frutos do mar, especialmente de vieiras, que harmonizam muito bem com alguns champagne.

CM: Quais são as principais regiões concorrentes de enoturismo na França?

GH:O líder no país é Bordô, e temos a Borgonha também como forte competidora. Nossa vantagem é que somos o mais próximo da capital e, diferente de outras regiões, temos apenas uma marca de vinhos, cuja a imagem é fortíssima e não há dispersão no foco. Além disso, temos a diversidade de 500 km de rota turística sinalizadas com seis circuitos. São mais de 300 caves e 5 mil produtores de uvas.

CM: Quais as novidades recentes de Champagne?

GH: Temos as aberturas do Museu Camille Claudel, com a historia e acervo da talentosa escultora; a Maison des Renoir, que mostra a casa histórica do celebre pintor francês. Em Epernay o turista passará a ter a experiência de um voo de balão incrível que permite uma visão de 360o dos vinhedos, e próximo à cidade teremos ainda a reabertura do Hôtel Royal Champagne Relais & Châteaux. Trata-se de uma impressionante e luxuosa propriedade de 48 quartos e suítes com vista para os vinhedos, spa e 2 restaurantes.

CM: Que dicas você destacaria para os brasileiros desfrutarem o melhor de Champagne?

GH: Primeiro, recomendo alugar um carro no centro de Paris ou já em Reims. Evitará tráfico e viajar de trem é sempre prático. Entre os meses de abril e outubro são as melhores épocas, além das semanas que antecedem o Natal, quando a região entra em clima contagiante.

Em quatros dias é possível ter um ótimo panorama, podendo fazer Reims, como base, ou ficar dois dias nela e o restante em Troyes. O ideal é não marcar mais que uma cave por dia, lembrando que nas grandes, é preciso agendar com um mês de antecedência, principalmente se a visita for aos finais de semana. Já para conhecer os micro produtores, sempre aconselho a perguntarem nas vilas, nos hotéis e em restaurantes que têm contato direto com as vinícolas próximas. Sempre surgem surpresas especiais.

CM: Qual foi sua experiência mais marcante com champagne?

GH: Foram muitas, mas lembro-me de uma visita à Drappier, em um jantar, quando um dos produtores da família surgiu à mesa para revelar que eles estavam criando três novos cuvée e gostariam que a gente provasse para orientá-los na decisão. Foi um privilégio e honra fazer parte dessa escolha.

O QUE VER:

Em Troyes

Cidade medieval repleta de cor e ruas típicas, com ares românticos;

-Nove estilos diferentes de igrejas e uma catedral;

-O maior centro de compras outlet da Europa.

Em Eperney

 A famosa avenida onde estão grandes maisons como Moet & Chandon, em uma área tombada pela Unesco;

Rota com 110 km de antigas caves e é ponto de partida ideal para visitar o vilarejo de Dom Pérignon

Em Reims

 A Catedral de Notre-Dame de Reims, Palácio do Tau e a Abadia de Saint-Remi, todos, patrimônios da humanidade;

Nove grandes Maisons de Champagne, algumas com caves que datam do período galo-romano;

Local da coroação dos reis da França. O tesouro real está exposto Palácio de Tau.

Curiosidades

 A Catedral de Reims é o local mais visitado com 1.1 milhão de turistas por ano;

Entre as Caves, a Mercier, em Epernay – lidera com 95 mil de visitantes/ano.

Experiências exclusivas

France Bubbles tours france-bubbles-tours.com/pt/

Visitas privativas Veuve Clicquot veuveclicquot.com/pt-br/experiências-exclusivas

Pacotes Dom Pérignon (almoços harmonizados) moet.com/Visit-us/Your-events-at-Moet

Cruzeiros privativos em meio a vinhedos no barco histórico Bullet 1927 – bullet1927.com

Borbulhas em números

 – 300 casas de Champagne e 15.800 produtores;

– São 33.800 hectares de vinhas que geram 268 milhões de garrafas;

– Os vinhedos dividem-se em: 38% de Pinot Noir, 31% de Pinot Meunir e 31% de Chardonnay;

– Um mercado que gera 4.7 bilhões de Euros, dos quais 2.6 são de exportação.

– A Grã Bretanha lidera a importação (31 milhões de garrafas), seguido dos EUA (quase 22 milhões) e da Alemanha (12 milhões). O Brasil encontra-se entre os 30 primeiros compradores.

*Dados oficiais de 2016 do governo local

Texto e Fotos: Carlos Marcondes e Divulgação 

 

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