Exemplo dos Kiwis (Nova Zelândia)

Com um dos melhores índices de qualidade de vida no mundo, a Nova Zelândia apresenta números impressionantes de crescimento de sua viticultura, com brilhantes reflexos no turismo.

Vinhedos da Nova Zelândia

Apelidados no mundo como kiwis, não pela fruta e sim por uma brincadeira com uma ave endêmica sem asas, símbolo do país, os neozelandeses incorporam como poucos, a filosofia da eficiência. O pequeno país da Oceania é daqueles destinos difíceis de encontrar defeitos. Quase tudo é realizado com charme, eficácia e sempre com elevado nível de responsabilidade ambiental.

No universo do vinho não é diferente. Em evento recente realizado em São Paulo e apresentado por Arthur Azevedo, presidente da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-SP), o governo da Nova Zelândia mostrou a enófilos e agentes de viagem, toda a força do enoturismo das duas ilhas que formam o país.

Não seria heresia dizer que depois da França, algumas das regiões da Nova Zelândia produzem os mais complexos Pinot Noir e Sauvignon Blanc da Terra. A qualidade une-se ao charme e a segurança de rotas belíssimas, em ambas as ilhas. A força do enoturismo, segundo dados do governo, contribuiu significativamente para o impressionante crescimento de brasileiros em visita ao país. Houve um salto expressivo de 9 mil para mais de 20 mil viajantes, em um período de apenas quatro anos.

O primeiro vinhedo moderno da Nova Zelândia, Brancott Estate Heritage Centre

Os números também sobem quando o assunto é exportação de rótulos. Em 2007 os embarques geraram cerca de 700 milhões de dólares neozelandeses. Passados 10 anos o mercado mais que dobrou e no final de 2017 a cifra alcançou 1.66 bilhão. Esses valores tornam-se ainda mais expressivos quando imaginamos que mais de 98% desses vinhos são provenientes de vinhedos que operam sob programas de sustentabilidade auditados de forma independente. Um case único no mundo.

Todo esse desenvolvimento aconteceu, surpreendentemente, em um curto espaço de tempo. Embora as primeiras vinhas tenham surgido em 1819, foi apenas em 1985 que houve uma revolução da indústria, com projetos que imprimiram dinamismo e qualidade ao setor até alcançarem a marca de 36 mil hectares de vinhedos plantados em 2017. Foram precisos apenas três décadas para alcançarem respeito global e transformarem seus rótulos em sinônimo de qualidade e de vinhos com tipicidade, elaborados com profissionalismo.

Vinho personalizado em Craggy Range

Entre os tintos, 72% das videiras concebem a Pinot Noir, que encontra nas região de Wairarapa (sul da ilha norte) e Central Otago (centro da ilha sul), as suas melhores expressões. Entre os brancos, a Sauvignon Blanc reina absoluta com 76%, principalmente de vinhas vindas da celebre Marlborough (norte da ilha sul). Vale ressaltar que há ótimos riesling também feitos da ilha sul.

Rotas turísticas

Um dos grandes responsáveis pelo sucesso do enoturismo na Nova Zelândia tem sido a rota chamada de The Classic New Zealand Wine Trail. O caminho que pode ser feito de carros em poucos dias, permite cobrir 80% da produção de vinhos do país, passando por mais de 100 adegas.

A enotrip começa na belíssima Hawke’s Bay, à leste da ilha norte, rumo a premiada Wairarapa, onde encontra-se a charmosa Martinborough. A pequena vila é berço de alguns dos mais consagrados Pinot Noir do país como os elaborados pelos produtores Ata Ragi e Schubert Wines. A viagem segue e em menos de duas horas, chega-se ao extremo sul, após passar pela capital Wellington, onde o carro será deixado no local do ferry, para atravessar o canal rumo à outra ilha.

Amisfield Winery, ingredientes frescos do Amsfield Bistro

Ao desembarcar o turista não ficará a pé. Do lado de lá já estará um novo carro, reservado pela locadora, pronto para a nova missão de desbravar o paraíso dos brancos, a região de Marlborough, com seus mais de 25 mil hectares de vinhas.

Todo esse percurso da rota clássica pode ser realizado, tranquilamente em três dias, com direito a experiências gastronômicas artesanais, visitas a casas de chocolates, de queijos, de mel e de azeites. Sempre com ampla opção de produtos orgânicos, uma forte identidade do país.

Degustações em Cape Kidnapper

Completada a rota tradicional, vale esticar até a espetacular região de Central Otago, outra meca da Pinot Noir. É de frente para o incrível lago Wanaka que encontra-se uma das vinícolas mais belas do mundo, a pequena Rippon. A propriedade não esbanja só beleza, seus Pinot estão entre os mais cobiçados da Nova Zelândia.

A ida até Wanaka, credencia os viajantes a finalizarem a enotrip na exuberante Queenstown. Capital mundial dos esportes radicais, a charmosa cidade é uma das mais belas do país e dá a oportunidade para que o enófilo encerre uma semana repleta de experiências, cercada de alguns dos melhores rótulos do Novo Mundo, celebrando a vida com a adrenalina de um dos famosos saltos de bungee jump ao melhor estilo Kiwi.

Texto: Carlos Alberto Marcondes / Fotos: divulgação

Conheça rótulos da Nova Zelândia no Clube Paladar, o Clube de Vinhos do Estadão.

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