Falafel

Historiadores afirmam que o falafel surgiu entre os coptas egípcios, no século I. Outros, ainda, garantem que ele já era apreciado há mais de mil anos antes, pelos faraós do antigo Egito.

O Oriente Médio tem uma sólida tradição culinária, muito conhecida e apreciada no mundo todo. Prova disso é o grande número de restaurantes e estabelecimentos de “comida árabe”, espalhados pelo mundo, muito antes do fenômeno da globalização.

A expressão “mundo árabe” é uma generalização que engloba povos, etnias e culturas distintas, que vivem na vasta região chamada de Oriente Médio. Dentre tantas comidas originadas desses povos que atravessaram fronteiras e se tornaram receitas mundialmente populares, está o falafel, vulgarmente chamado de bolinho árabe ou bolinho de grão-de-bico. A pimenta é um elemento indissociável da cultura alimentar da região, tanto que o nome falafel deriva de “filfil”, que significa pimenta, em árabe.

Historiadores afirmam que o falafel surgiu ente os coptas egípcios, no século 1º. Na Quaresma, quando a carne é proibida, as famílias egípcias produzem grandes quantidades de uma comida muito popular, chamada ta’amia. Em Alexandria, ela recebe o nome de falafel. A partir desse antiquíssimo porto, ele teria se disseminado por todo o Oriente Médio.

Há ainda quem sustente que ele teria sido criado no tempo dos faraós, sendo, portanto, muito mais antigo que se supõe. Há registros antigos e hieróglifos que sugerem se tratar de seu preparo e indicam que o falafel era uma comida da realeza no antigo Egito.

Há uns anos, um ministro libanês declarou, em uma entrevista, que Israel teria usurpado um dos quitutes mais simbólicos de seu país. No entanto, egípcios, iemenitas e sírios também contestam sua pretensa origem libanesa. Apesar de o falafel não ser uma comida intrinsecamente judaica, ele já era comido há muito tempo por judeus sírios, iraquianos, iemenitas e iraquianos e libaneses, muito antes do surgimento de Israel e, portanto, anterior ao advento do interminável conflito entre estes povos. Com a fundação de Israel, o falafel se tornou um dos pratos mais simbólicos do país.

No Egito, a iguaria é feita somente de favas verdes. Na Síria, no Líbano e na Jordânia, as favas são misturadas ao grão-de-bico. E, em Israel, só é utilizado o ingrediente. Um bom falafel deve ser sequinho, a massa deve ser leve e crocante e jamais ter a textura massuda. Ele pode ser apreciado sozinho, com molho de pimenta, saladas ou acompanhado de outras iguarias regionais, como kafta (espetinho de carne de carneiro), homus (pasta de grão-de-bico) ou babaganush (pasta de berinjela grelhada).

O falafel se tornou uma boa opção para substituir a carne, motivo pelo qual se tornou queridinho de vegetarianos e veganos no mundo todo. É uma comida extremamente simbólica e do dia a dia no Oriente Médio. E, em Israel, é a comida de rua por excelência.

Como já abordamos aqui no Clube Paladar, há praticamente consenso entre historiadores que o falafel seja o antepassado do nosso brasileiríssimo acarajé. Os árabes, em suas várias incursões à África entre os séculos 17 e 19, levaram consigo o falafel. O feijão fradinho veio então a substituir as favas secas e o grão de bico, inexistentes no continente africano naqueles tempos. Da África, o quitute teria vindo para o Brasil com os escravos (Clube Paladar Ed. 14)

RECEITA FALAFEL

INGREDIENTES
300 g de grão de bico (deixar de molho por uma noite em água fria)
1 ramo de salsinha
1 ramo de coentro
10 folhas de hortelã
1 cebola
1 colher de semente gergelim
1/2 colher de chá de bicarbonato
2 dentes de alho
Sal e pimenta a gosto
1/2 colher de chá de cominho
1/4 colher de chá de páprica
Óleo para fritar

PREPARO
1. Drene o grão-de-bico e seque bem com um papel toalha. A secagem é fundamental para evitar que o bolinho se desfaça na fritura.
2. Passe o grão-de-bico no processador até obter uma pasta. Coloque a cebola, o alho e processe novamente. Em seguida, adicione as folhas e processe.
3. Adicione todos os ingredientes restantes, com exceção do gergelim, e processe uma última vez. Por fim, misture o gergelim à mão (e não processe).
4. Em uma fritadeira ou panela, aqueça o óleo. Faça bolinhas de uns três ou quatro centímetros de diâmetro. O óleo deve cobrir ou quase cobrir os bolinhos. Espere ficar bem quente antes de fritar. Após a fritura, sirva imediatamente.

Há também a opção de assar o falafel:
1. Pré-aqueça o forno a 180ºC e coloque as bolinhas em uma forma de metal levemente untada com azeite ou óleo.
2. Se for assar, faça as bolinhas um pouco mais achatadas e asse-as por aproximadamente 25 minutos, observando sempre.
3. No meio do processo, vire o falafel para assar igualmente os dois lados.

Para harmonizar: Espumante Terra Serena Extra Dry Rose

Texto: Johnny Mazzilli

Receba mais conteúdo por e-mail

Veja mais sobre

Posts relacionados