Julho de 2019: o prazer de voltar pra casa – Revista do Clube Paladar

É difícil dizer se há mais satisfação em sair, experimentar ou retornar para o ponto de partida (e perceber que já não somos mais os mesmos). Por Viviane Zandonadi

Um livro, um poema, um filme, um prato de comida, uma xícara de café, um copo de vinho, um destino, um passeio: tudo isso (e mais) são formas de sair de casa, de si, para lidar com sensações e sentimentos e depois voltar; gatilhos de transformação que preenchem um baú de referências. (E até desconfio que esse baú não tem fim – ou talvez ele um dia acabe carregado de silêncio. Um silêncio eloquente). Foto: iStock

Está escrito em algum lugar – e não sei quem escreveu – que há tantas leituras de um texto quanto há leitores. Pessoalmente, acredito que há mais leituras do que leitores, porque uma pessoa pode ter com um mesmo livro mais de uma experiência ao longo da vida. E a multiplicidade de leituras, por analogia, se aplica a outras situações.

Assim como ler, comer e viajar são formas de contato que, com o passar dos anos, se transformam. E nós também. Não somos mais os mesmos que lemos um autor, ouvimos um álbum ou visitamos uma cidade, das primeiras vezes, aos 20 e poucos anos.

As palavras, os sons, os cheiros, os sabores e os lugares possivelmente nos afetam de um outro jeito, tanto tempo depois. Um livro, um poema, um filme, um prato de comida, uma xícara de café, um copo de vinho, um destino, um passeio: tudo isso (e mais) são formas de sair de casa, de si, para lidar com sensações e sentimentos e depois voltar; gatilhos de transformação que preenchem um baú de referências. (E até desconfio que esse baú não tem fim – ou talvez ele um dia acabe carregado de silêncio. Um silêncio eloquente).

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São as experiências, em especial de viagem e de comida, que conduzem a leitura desta edição da revista do Clube Paladar. O que nos toca, inquieta e inspira em uma viagem? O que em nós e no entorno contribui para que uma refeição seja considerada extraordinária, para que um dia que parecia modorrento seja percebido, de repente, na emoção e na poesia?

Não sei. Já vi casos em que bastou um golpe de vento. E a potência do acaso.

De todo modo, espero que depois do vaivém – ora prático e lógico, ora intuitivo e poético, ora feliz ou frustrante – nada tire da leitora e do leitor o prazer essencial: voltar pra casa. Diferente e contente. Saia. Nem que seja só para ter, depois, essa sensação de chegar.

Clique aqui para fazer o download da revista em pdf.

Até agosto, fiquem bem 🙂

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