O que você precisa saber antes de fazer uma viagem de enoturismo

Você já pensou em fazer uma viagem para visitar as propriedades onde são produzidos aqueles vinhos que você tanto aprecia?

Lavaux, na Suíça

Conhecer uma vinícola pode ser uma experiência rica e inusitada. E, muitas vezes, o que lemos em rótulos, aprendemos em livros ou na internet, passa a fazer todo o sentido quando temos a oportunidade de vivenciar essa experiência. Algumas informações e dicas podem ajudar a tornar essa viagem mais interessante e evitar dores de cabeça.

Se essa for sua primeira viagem de enoturismo, visite uma região que produza vinhos do estilo que você gosta. Programe-se tendo em mente os seguintes temas:

Para onde ir
Escolha um destino que tenha outras atrações além do vinho, como passeios, restaurantes, museus, enfim, programas que sejam de seu interesse, pois as visitas são diurnas, geralmente pela manhã.

Quando ir
Vinhos são produtos agrícolas e seguem um calendário anual. A produção está relacionada à latitude, que por sua vez influencia no crescimento e no desenvolvimento das videiras e das uvas. Por outro lado, também está relacionada ao clima e ao microclima, como solo, insolação, temperaturas, chuvas e variações térmicas, que ditam o ritmo do ciclo da videira. Após essas considerações, você saberá o que esperar em cada estação, mas é sempre bom informar-se, pois muitas vezes uma temporada de chuva, granizo ou seca pode atrapalhar o ciclo natural das coisas.

Primavera
Floração e crescimento dos bagos, o vinhedo estará bem verde e cheio de cachos de uvas em processo de crescimento, começando a mudar de cor.

Verão
Começa o amadurecimento das uvas, tem início a colheita e o início da produção do vinho, que se estende pelo outono. Essa época é famosa pelas festas da vindima, que acontecem em todas as regiões produtoras e, em muitas delas, é possível participar da colheita, entrar no vinhedo, sentir o aroma doce e levemente fermentado das uvas, o sol quente, as paisagens. É uma experiência única.

Outono
Após a colheita, as folhas mudam de cor e passeiam por uma gama que vai do vermelho vinho, até o dourado, indo para a cor de ferrugem, formando um tapete colorido a perder de vista. Ao final da estação, em poucas semanas, elas secam e caem das videiras.

Inverno
Com a videira sem folhas, é feita uma poda e a planta entra em dormência. Em algumas regiões onde cai neve, elas estarão cobertas.  Nessa estação inicia-se um novo ciclo.

Mas não se prenda muito às condições de tempo, porque nem sempre você passeará no vinhedo. A maior parte da visita é dentro da vinícola, em que você fará um tour guiado pela sala de tanques de fermentação, sala de barricas e sala de degustação para provar os vinhos e desvendar seus estilos, finalizando, muitas vezes, na loja, onde poderá adquirir os rótulos da vinícola.

Quanto tempo
Geralmente as visitas duram uma manhã, período ideal para conhecer e acompanhar um pouco desse processo que é a produção de vinho. Dependendo do lugar escolhido, é possível visitar duas ou até mesmo três bodegas diferentes, dependendo da proximidade entre elas e do quanto se estende a permanência em cada bodega. Há visitas mais estendidas e outras mais breves.

Com quem ir
Convide pessoas que tenham os mesmos interesses que você, pois geralmente os passeios são longos e as vinícolas são afastadas dos centros comerciais. Vale lembrar que em algumas menores de idade (18 ou 21 anos, dependendo do país) não podem participar do passeio  nem da degustação.

Quais vinícolas visitar
Eleja uma vinícola butique (de pequena produção) com rótulos exclusivos, outra com grande capacidade de produção e outra ainda que tenha alguma particularidade interessante: como uma arquitetura diferente, vinhos premiados, métodos de produção incomuns, ou que produza vinhos fora da curva. Serão vivências diversificadas e, com certeza, ajudarão você a entender melhor as diferenças entre os rótulos que estão no mercado. Para agendar, basta entrar no site da vinícola e reservar as visitas. Algumas têm restaurantes e oferecem menus degustação, ótima oportunidade de conhecer opções de harmonizações local. Outras também são hotéis e estão muito bem preparadas para o enoturismo, o que pode ser uma boa opção para sua viagem. Uma dica é usar um serviço de táxi ou van, pois se você pretende provar os vinhos, não poderá ir e vir dirigindo.

O que levar
Em primeiro lugar, leve roupas de acordo com a estação, mas tenha em mente peças confortáveis, sapatos baixos com solado de borracha ou tênis e protetor solar, boné ou chapéu para os dias quentes. Independentemente do clima, as salas de barricas são frias, porque precisam se manter em uma temperatura constante, por isso eu sempre tenho uma pashimina na bolsa, para esses momentos 😉

Vale a pena trazer vinhos?
Depende! Pesquise os preços dos vinhos na internet, nas lojas locais, ou mesmo no Duty Free antes da visita, e compare com os oferecidos na loja da vinícola. Avalie se compensa. Se optar pela compra, certifique-se que eles têm embalagens seguras para viagem.  Informe-se também sobre a quantidade de garrafas permitida por pessoa para despachar. No Brasil, a lei permite que o viajante traga até 12 litros de vinho, o que equivale a 16 garrafas de 750 ml, lembrando que o montante não pode ultrapassar a cota de 500 dólares que cada viajante tem direito a trazer do exterior. E, por mais tentadores que sejam os preços, lembre-se, quem vai carregar a mala é você.

Cheers e boa viagem!

Daniella Romano, Sommelière, criou o Guia de Vinhos Selo 7 Sommeliers e a empresa Aromas do Vinho. Proprietaria da Casa da Travessa espaço dedicado a Gastronomia e à Wine Education

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